“É como se parte de mim teria voltado”: políticas linguísticas e acolhimento de estudantes migrantes e refugiados nas escolas municipais de Belo Horizonte

Liliane Francisca Batista

Resumo


Este artigo analisa os desafios enfrentados pela Rede Municipal de Educação de Belo Horizonte na construção de políticas linguísticas voltadas ao acolhimento de estudantes migrantes e refugiados. O estudo parte do crescimento contínuo das matrículas desses estudantes desde 2005, intensificado por crises humanitárias e econômicas em países como Haiti, Síria e Venezuela, e examina como a Secretaria Municipal de Educação tem buscado responder a essa realidade, especialmente com a criação do Núcleo de Políticas Educacionais para Estudantes em Situação de Migração (NUPEM), em 2024. A partir de referenciais teóricos de Shohamy (2006), Hall (2016), Cummins (2001), entre outros, discutem-se as tensões entre políticas de jure, expressas em documentos oficiais, e políticas de facto, efetivamente implementadas nas escolas. Os dados e os relatos coletados revelam que práticas monolíngues ainda predominam no cotidiano escolar, sustentadas por visões distorcidas sobre o bilinguismo, que frequentemente associam a presença de múltiplas línguas a déficits de aprendizagem. Essa lógica reforça hierarquias linguísticas que marginalizam línguas de origem e identidades culturais dos estudantes. Em contrapartida, experiências de valorização do plurilinguismo – como o uso de materiais bilíngues e o reconhecimento das línguas familiares em sala de aula – demonstram potencial para promover inclusão, autoestima e sucesso escolar. Conclui-se que a efetividade das políticas linguísticas depende de sua concretização em práticas pedagógicas cotidianas, por meio de formação docente, planejamento curricular e estratégias institucionais que reconheçam a diversidade linguística como um direito cultural e um recurso pedagógico, indispensável à construção de uma escola verdadeiramente inclusiva.



Palavras-chave


Políticas linguísticas; Migrantes e Refugiados; Bilinguismo; Educação Básica.

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DOI: 10.3895/rtr.v10n0.20812

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