Do bairro ao ativo financeiro: São Cristóvão sob o avanço da Operação Urbana Consorciada Porto Maravilha

Raphael Amorim Ramos, Joice de Souza Soares

Resumo


O artigo analisa a expansão da Operação Urbana Consorciada (OUC) Porto Maravilha para o bairro de São Cristóvão, aprovada pela Lei Complementar nº 267/2023, situando-a no contexto das transformações urbanas e políticas recentes do Rio de Janeiro. A partir de uma abordagem crítica, o estudo articula os conceitos de financeirização do espaço urbano, urbanismo empresarial, empreendedorismo urbano e valorização fundiária e imobiliária, com o objetivo de compreender como o Estado atua como mediador da valorização territorial e promotor da rentabilidade urbana. A análise mostra que a ampliação da operação integra uma estratégia de reativação do mercado imobiliário e de atração de investimentos privados, subordinando o planejamento às dinâmicas do capital. Argumenta-se que o bairro, historicamente marcado por contrastes sociais e por um uso desigual do solo, torna-se alvo de um novo ciclo de reestruturação que tende a reproduzir dinâmicas de gentrificação, ameaçando a função social da propriedade e a permanência dos moradores tradicionais. Conclui-se que a operação expressa a continuidade de um modelo de governança urbana que converte o território em ativo financeiro, reforçando a mercantilização do espaço e a seletividade das políticas urbanas no Rio de Janeiro. 

Palavras-chave


Operação Urbana Consorciada; Porto Maravilha; São Cristóvão; Financeirização Urbana; Planejamento Urbano

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DOI: 10.3895/rbpd.v15n1.21199

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